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Cubatão
é um município do Estado de São Paulo, na Região Metropolitana
da Baixada Santista, microrregião de Santos. A população
estimada em
2005 era
de 119.068 habitantes e a área é de 142,3 km², o que resulta
numa densidade demográfica de 798,31 hab/km².
Altitude: 4 m
Seus limites são
Santo André a norte,
Santos a
leste, a Baía de Santos a sul,
São Vicente
a sudoeste e
São Bernardo do Campo
a noroeste.
Com um grande
parque
industrial,
Cubatão enfrenta a ameaça constante da
poluição.
História
É ponto pacífico
entre os estudiosos que a região do atual município de
Cubatão foi ocupada, há pelo menos 7.000 anos, pelo
chamado Homem do Sambaqui: eram grupos
seminômades,
que tinham sua vida cotidiana ligada ao mangue, donde tiravam sua
subsistência, marcada por siris,
conchas bivalves,
berbigões
e peixes, os quais aproveitavam para desenvolver sua manufatura de
peças mistas –
líticas e
orgânicas – caracterizadas por ferramentas de pedra polida (do
Mesolítico), adornos e outros equipamentos (DUARTE,1968).
Sua principal
característica, que dá nome ao grupo, é o fato de serem
construtores de sambaquis – palavra índia que significa
TAMBA-A-AQUI: “monte de conchas” (MADRE DE DEUS, 1923); os
sambaquis não eram o local de moradia desse grupo; eram
simplesmente os “lixões” onde eram depositadas as sobras da
alimentação, as carcaças dos crustáceos e as ossadas de peixes e
pequenos mamíferos que serviam de alimento; por motivos
desconhecidos, passaram a abrigar enterramentos humanos, sendo que
a intempérie dissolveu as camadas superiores do sambaqui, fazendo
uma petrificação por cálcio dos esqueletos imersos no núcleo do
sambaqui, conservando-os, e a seus adornos funerários, pelos
milênios.
No século XIX,
esses monumentos pré-históricos foram visitados pelo Imperador
D.Pedro II, exímio naturalista, que deles se encantou; no
século XX,
foram alvos de estudos por parte da Universidade de São Paulo (a
USP), e atraíram inclusive a atenção de Paul Rivet, o lendário
Diretor do Museu do Homem de Paris, e “pai” da moderna
Antropologia americana (RIVET, s/d). Na disputa pela ocupação do
espaço do litoral, há aproximadamente 1.000 anos, os índios,
oriundos do Planalto Brasileiro, desceram a Serra do Mar e se
estabeleceram temporariamente na Baixada, donde retiravam peixe e
sal; neste estabelecimento, faziam diversas viagens entre o
Planalto e o Litoral, e abriram diversos caminhos na Muralha do
Atlântico que, segundo se fala, iam do litoral até a Cordilheira
dos Andes. O mais conhecido desses caminhos era o Caminho do
Piaçagüera de cima, que desse lugar subia a Serra pelo secular
trilho dos Goianases, no Vale do Ururaí (atual Mogi) (WENDELL,
1966 e
COSTA E SILVA SOBRINHO, s/d). Descendo a Serra do Mar, os índios
ocuparam a região e exterminaram (ou absorveram) o grupo do Homem
do Sambaqui.
Embora haja provas
abundantes da ocupação indígena, deles temos poucas informações,
exceto aquelas que nos são outorgadas pelos invasores portugueses;
sabemos, grosso modo, que foram testemunhas das expedições
pré-coloniais e da chegada da expedição colonizadora de Martim
Afonso de Sousa.
O primeiro
documento oficial que cita Cubatão é a Carta de Doação de
Sesmaria, passada por Martim Afonso em
10 de fevereiro
de
1533, onde
ele concede á Rui Pinto as terras do Porto de “Apiaçaba”, e as
terras situadas “na Barra do Cubatão”, entre os rios Ururaí e
Perequê (BORGES, 2002). Em
04 de março,
Martim Afonso doa outra sesmaria a Francisco Pinto (irmão de Rui
Pinto), sesmaria que ia do Rio Perequê ao Rio das Pedras.
Em
1556,
durante o
Governo Geral,
foi doada a Antonio Rodrigues de Almeida uma sesmaria cujas terras
partem do Rio das Pedras, até o Rio Pilões; essa sesmaria foi
adquirida em 1643 pelos padres da Companhia de Jesus, sendo o
embrião da Fazenda Geral dos Jesuítas, também chamada de Fazenda
Geral do Cubatão. As terras jesuíticas margeavam o rio Cubatão, o
que lhes dava controle sobre a navegação fluvial que ligava a
escarpa da
Serra do Mar
e o
Porto de Santos:
em realidade, com o tempo, os jesuítas passaram a controlar o
comércio (essencial) entre o Planalto e os corredores de
exportação e importação – os jesuítas tiveram a brilhante idéia de
cobrar pela passagem fluvial, além de alugar botes e canoas que
faziam a passagem entre a Ilha de Goiaó e o Cubatão.
Os comerciantes da
Vila de Santos foram os primeiros a reclamar dessa cobrança, e a
Câmara da Vila de Santos enviou Ofício ao Rei de Portugal, mas
tudo foi em vão: desde 1745, os jesuítas solicitavam permissão
preventiva para a cobrança; mesmo após a Reforma Pombalina, que
expulsa os jesuítas de todo o Império Português, em 1759, Cubatão
é a primeira Alfândega do Brasil, cobrando impostos de passagem
dos bens e produtos que sobem ou descem a Serra do Mar.
A própria existência
de uma Alfândega já era sinal do desenvolvimento acelerado da
antiga Capitania de São Vicente, agora chamada de São Paulo: o
desenvolvimento da vila de São Paulo de Piratininga, acelerado,
gerava necessidades e riqueza, nas expedições de caça ao índio e
de prospecção dos Bandeirantes; em vista disso, desde 1560, o
Governador Geral Mem de Sá, julgando o Caminho dos Goianases muito
inseguro, por estar infestado de índios hostis aos portugueses,
mandara que ele fosse abandonado, e que fosse utilizado o chamado
Caminho do Padre José, no Vale do Rio Perequê]], também chamado de
“Estrada do Cubatão Geral” (WENDELL, 1966).
Porém, no
século XVIII,
Da. Maria I, Rainha de Portugal, envia ao Brasil o fidalgo
Bernardo José Maria de Lorena, Conde de Sarzedas, como Governador
da Capitania de São Paulo. Lorena, assombrado com o
desenvolvimento da Capitania, não aceitava a existência de um
caminho de serra tão escarpado e dificultoso quanto o Caminho do
Padre José; aproveitando a estada do Real Corpo de Engenheiros,
veteranos da reconstrução de Lisboa após o terremoto de 1790, e
incumbidos da delimitação do Tratado dos limites do Brasil com a
América Espanhola, Lorena se propõem a construir uma estrada
calçada de pedra pela Serra do Mar, no trecho entre o Rio das
Pedras e o Rio Cubatão.
Essa obra, pelo seu
ineditismo e sua grandeza, ficou conhecida como “Calçada do
Lorena”, com 8.000 metros de extensão e 3 metros de largura, toda
calçada em pedra. Lorena escrevia assim seu nome na História,
sendo o mentor daquela que fora, em sua época, a estrada mais
moderna da América. A Calçada do Lorena prosseguiu em sua
importância, pois passa, em 1822, a ser a “Estrada da
Independência”: é por ela que trafega o Príncipe D.Pedro, em sua
histórica jornada de 07 de setembro, quando parte de Santos, da
casa de José Bonifácio, passa pelos ranchos no atual Largo do Sapo
em Cubatão e se dirige a São Paulo, quando é interceptado, nas
margens do Ipiranga pelo mensageiro real. Por pouco, a
Independência não é proclamada em solo cubatense (BORGES, 2002).
Em 1803, em decreto de
19 de janeiro, o Governador da Capitania, Antonio José de Franca e
Horta, numa política de povoamento e desenvolvimento da Capitania,
ordena a edificação do Povoado de Cubatão, na extinta Fazenda dos
Jesuítas, entre os rios Capivari e Santana, na margem direita do
rio Cubatão; se alguém mereceria o epíteto de “fundador” seria
Franca e Horta: é dele a iniciativa de formar o povoado. Em Edital
de 22 de agosto, ele convida famílias de Iguape para povoarem
Cubatão.
Mas somente em
17 de janeiro
de
1819, em
pleno Período Joanino, cinco famílias da Ilha dos Açores vêem para
Cubatão: são os famosos “cinco Manuéis” – Manuel Espíndola
Bittencourt, Manuel do Conde, Manuel Correia, Manuel Gomes e
Manuel Antonio Machado, que segundo consta, não seria “Manuel”,
mas simplesmente Antonio Machado – o erro seria de transcrição do
nome, e permaneceu na História de Cubatão. A riqueza de
Cubatão, seu solo, foi explorada pelos portugueses na forma de seu
produto mais tradicional: a banana.
Em 1827, para
facilitar o escoamento de produtos que desciam ou subiam a Calçada
do Lorena, foi inaugurado um aterrado, que ligava Santos à
Cubatão; esse aterrado é a origem da atual Avenida Nove de abril,
pois dá início à Calçada do Lorena, no Largo do Sapo, no local
hoje marcado por uma mureta verde e branca.
Em 12 de agosto de
1833, a Regência Trina Permanente, instituída após a abdicação de
D.Pedro I, sanciona a Lei n. 24, que elevava o Porto Geral de
Cubatão à categoria de município, desmembrando-o de São Vicente;
mas a penúria em que se encontra o Povoado, faz com que a
autonomia seja tolhida pela Lei Regencial n.167, de 1o. de março
de 1841, que incorpora o Povoado de Cubatão à cidade de Santos
(BORGES, 2002).
Em realidade, o
marasmo que toma conta do povoado, justifica a atitude; poucas
informações se fazem deste momento, ficando atreladas às duas
visitas do Imperador D.Pedro II: a primeira em 1846, quando é
inaugurada a “Estrada da Maioridade”, o antigo Caminho do
Vergueiro; até hoje, com sucessivos melhoramentos, ela é conhecida
como Estrada Velha de Santos. Em 1992, um temporal faz com que
parte de seu piso asfáltico ceda, e dê origem a uma cratera de
nove metros; assim, ela é fechada ao público, permanecendo assim
até nossos dias.
A segunda visita
do Imperador ocorre em
1876,
quando D.Pedro II visita os sambaquis da Ilha dos Casqueirinhos,
atualmente área da COSIPA.
Nesse meio tempo, em
1867, é inaugurada a Estrada de Ferro São Paulo Railway, que corta
o povoado e sobe a Serra do Mar – seu objetivo era trazer do
interior de São Paulo a riqueza do café, embarcada pelo Porto de
Santos.
A situação do
povoado é tão modorrenta, que pouco temos conhecimento do
cotidiano do final do
século XIX;
porém, na esteira da liberdade e do abolicionismo santista,
Cubatão abriga quilombos e negros fugidos – no
Vale do Rio Mogi
subsistiriam as ruínas de um antigo quilombo e de um engenho de
açúcar (PASSERANI, 2003). A evolução da cidade de Santos acaba
segregando Cubatão como um bairro distante da Sede do Município,
abrigando no Cemitério de Cubatão inclusive o Cemitério Israelita,
o qual, acredita-se, sepultava os despojos das “polacas” –
prostitutas judias trazidas da Europa Oriental.
Embora durante a
Republica Velha,
a riqueza do
Brasil
tenha sido o
café,
trazido pelos trilhos da “ingleza” que atravessa Cubatão em
direção ao
Porto de Santos,
no bairro a riqueza é personificada pela banana – na fruta
tropical uma atividade lucrativa, e durante muito tempo é a maior
riqueza da terra, facilmente exportada pelos trens para Santos e
outras localidades. Até hoje o brasão da cidade mantém essa
herança, simbolizada nas duas folhas de bananeira que o ladeiam,
assim como qualquer passante desavisado pode notar pelas ruas e
terrenos da cidade. A bananicultura foi introduzida em Cubatão por
Henrique Muniz de Gusmão Brunken (avô de Afonso Schmidt); além da
bananicultura, outra fonte de renda era a extração de areia e
pedras (BORGES,
2002).
No final do
século XIX,
surgem diversos pequenos curtumes em Cubatão; em 1895, se instala
a Companhia Curtidora Max, que no
século XX é
adquirida pela Costa Muniz, posteriormente se dedicando a produzir
cintos, mangueiras, correias, fios e cordas de couro. A Cia. Max é
a primeira grande indústria a se instalar na região de Cubatão,
mas é seguida, em 1916, pela Companhia Anilinas de Productos
Chimicos do Brasil]], que se instala em vasta gleba, no centro do
povoado (na atual avenida 9 de abril); ela produz até 1964 tintas,
vernizes e outros compostos, mas não é a grande absorvedora de mão
de obra: em 1918, se instala numa das falhas da Serra do Mar, a
Companhia Santista de Papel, numa área em que se possa construir
uma usina hidrelétrica, em vista da abundância de recursos
hídricos e a proximidade tanto do Porto de Santos, quanto da
capital – São Paulo (PASSERANI, 2004). Essa industrialização traz
forasteiros e um progresso acelerado para a região (BORGES, 2002).
Em 1922,
comemorando o Centenário da Independência do Brasil, o Presidente
do
Estado de São Paulo,
Washington Luiz de Souza,
manda construir ranchos na Estrada da Maioridade, que evoquem a
importância histórica da região; entrega a responsabilidade dos
projetos a Victor Dubugras e a responsabilidade dos azulejos à J.
Wasth Rodrigues. São construídos seis monumentos: o Cruzeiro
Quinhentista, único na Planície, que marca o cruzamento dos
caminhos indígenas e o início da Calçada do Lorena e do Caminho do
Mar; o Pouso do Paranapiacaba, o Rancho da Maioridade, o Monumento
do Pico, o Pouso Circular (ou Belvedere) e o Padrão do Lorena, no
encontro entre o Caminho do Mar e a Calçada do Lorena.
Os monumentos na
Serra foram, curiosamente, privatizados com a Eletropaulo pelo
Governo do Estado de São Paulo, em 1995; o Cruzeiro Quinhentista
aparentemente ficou fora dessa “privatização cultural”, pois se
encontra em estado de total abandono, depredado e sofrendo sérios
problemas estruturais que podem fazê-lo tombar em pouco tempo,
justo ele que, com a remodelação da Avenida 9 de abril em 1976,
foi desmontado pedra a pedra e remontado duzentos metros adiante.
Dos demais, apenas do Pouso do Paranapiacaba encontra-se
razoavelmente protegido, pois abriga um posto de vigilância da
EMAE; os demais foram abandonados e correm o risco de desaparecer
(PASSERANI,
2004). A
escolha de Washington Luiz é explicável pela largura da Estrada,
bem mais ampla que a Calçada do Lorena; para corrigir uma eventual
falha histórica, ele manda construir um “arco do triunfo” para
Lorena – o Padrão do Lorena.
A Lei de 26 de
setembro de 1922 (Lei 1871), criava o Distrito de Paz de Cubatão,
mas permanecia como um bairro de Santos. Isso daria margem a que,
em 28 de fevereiro de 1930, o jornal “Voz de Cubatão”, propagasse
a idéia da Emancipação Política.
Em 1926, a Estrada
Velha da Serra do Mar é a primeira estrada brasileira e
sul-americana totalmente pavimentada em concreto de cimento; para
comemorar, é construído o Pontilhão da Raiz da Serra e afixadas
duas placas comemorativas, que hoje se encontram dentro da área da
Refinaria Presidente Bernardes, longe dos olhares populares (PASSERANI,
2004).
Em 1926, seguindo o
Projeto de Billings e de Henry Borden, a Light and Power Company,
responsável pelo abastecimento elétrico de São Paulo, constrói uma
Usina Hidrelétrica a céu aberto em Cubatão, aproveitando a
captadora do Rio das Pedras e a caída da água pela Serra do Mar; o
projeto acaba sendo modificado em função dos bombardeios durante a
Revolução Constitucionalista de 1932 e a Doutrina de Segurança
advinda da Missão Militar Americana, durante a Segunda Grande
Guerra (SKIDMORE, 1999); assim, em 1955, é inaugurado um grupo de
geradores que forma a Usina Subterrânea. Em homenagem a seu
idealizador, a Usina recebe o nome de Henry Borden.
Com o desenvolvimento
da região, é construída em 1947 a Via Anchieta, chamada de
“orgulho da engenharia rodoviária nacional”, a mais moderna das
rodovias brasileiras na época; com o crescimento, o fortalecimento
comercial e industrial, o bairro começa a perder suas
características agrícolas e começa a sonhar com o futuro.
Organiza-se em 1948 um grupo de trabalho para lutar pela elevação
de Cubatão à categoria de município. O grupo passou à História da
cidade como “Os Emancipadores”, realizando em 17 de outubro um
plebiscito, que culmina com a vitória pró-desmembramento.
Os Emancipadores
encontram em Lincoln Feliciano, Deputado Estadual, acolhida para
sua pretensão, e pela lei 233, de 24 de dezembro de
1948,
Ademar de Barros, Governador, sanciona a pretensão. Em 01 de
janeiro de
1949,
Cubatão é elevado à categoria de Município, ficando sob a
administração interina do Prefeito de Santos e de seu
Sub-Prefeito, até que a população de Cubatão eleja seu Prefeito.
Em 9 de abril, o vencedor, Armando Cunha, um dos “Emancipadores”,
é empossado.
Armando Cunha
tem uma tarefa complicada, pois embora a cidade já tenha nascido
industrializada, os tempos pedem ações rápidas: o nacionalismo do
Presidente Getúlio Vargas traz a PETROBRÁS em
1953, com o
início da construção da Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão;
o terreno escolhido pelos engenheiros da Petrobrás é justamente o
do Cemitério Municipal, que é retirado e transferido para uma nova
área, no antigo Sítio Cafezal. Com a instalação e o início do
funcionamento da Refinaria, em 1955, a cidade adquire o status de
industrializada, principalmente quando, oito anos depois, se
instala a Usina da COSIPA – Companhia Siderúrgica Paulista, dentro
da visão desenvolvimentista do Presidente Juscelino Kubitschek de
Oliveira e de seu Plano de Metas (SKIDMORE, 1999).
Desde a
Emancipação, a política da cidade se complica. Diversas correntes,
muitas delas de segregação dos migrantes nordestinos que vem para
Cubatão, se encontram no seio da política municipal. Não raro, há
embates físicos entre políticos e correligionários. Armando Cunha
é sucedido pelo conceituado médico Luiz de Camargo da Fonseca e
Silva em 1953, mas em 1957 volta à Prefeitura. Diversos grupos
políticos se formam na cidade, e as opiniões começam a se tornar
motivos de discórdias e rixas. Em 1961, em meio a uma disputa
recheada de intrigas, Abel Tenório de Oliveira, de origem
nordestina, é eleito Prefeito. É uma fase de conflitos, que
culmina com a morte do vereador Aristides Lopes dos Santos, o
Dinho, e a morte do próprio Prefeito Abel Tenório; ambos são
crimes políticos, e encobertos pelas névoas do tempo e da
Revolução de
1964.
Com a morte do
Prefeito, assume seu Vice, José Rodrigues Lopes, que termina seu
mandato em
1965, sendo
sucedido pelo médico Luiz Camargo. Nesta fase, a do endurecimento
do Regime Militar iniciado em
1964, o
Governo Federal torna Cubatão Área de Segurança Nacional
com a lei 5449, em vista de seu interesses estratégico industrial,
elétrico e de fornecimento hídrico. Começa a fase dos
“Interventores”.
O primeiro Interventor
é o Engenheiro Aurélio Araújo, que governa de 1969 a 1971. Araújo
começa uma nova fase na História da cidade, quebrando todos os
vínculos com o passado; ele desmobiliza as principais facções
políticas e inaugura uma fase de exacerbado paternalismo
governamental na área social. Uma de suas ações é modificar
totalmente o Brasão da cidade (obra do vereador na primeira Câmara
em 1949, Mayr Godoy), substituindo-o por outro brasão evocativo de
um desenvolvimento industrial.
Em
1971 é
nomeado outro Interventor, o também Engenheiro Zadir Castelo
Branco, que tem como prioridades à mudança do curso do rio
Cubatão, obra necessária pelas constantes enchentes na cidade,
a construção de um novo Gabinete do Prefeito (a célebre “Gaiola de
Ouro”, na Av. 9 de abril com rua Padre Nivaldo), e de um novo Paço
Municipal.
Em
1975, é
nomeado novo Interventor: Carlos Frederico Soares Campos,
Farmacêutico
mato-grossense;
Campos irá terminar as obras de Zadir, inaugurando o Paço
Municipal Piaçagüera, o novo curso do rio; conta-se que a
Administração Campos foi das mais brilhantes, em parte pela
receita astronômica gerada pelas indústrias; porém, o final dos
sete anos de administração Campos são marcados pelo escândalo que
ficou conhecido como “mar de lama”, que envolvia tanto o primeiro
escalão da administração, como a Câmara Municipal: denunciado por
um munícipe, e pelo Vereador Roberto Ferreira envolvia Campos, seu
secretariado e a Mesa da Câmara.
Em
1982 foi
nomeado o advogado José Osvaldo Passarelli como Interventor. Nesta
fase, a industrialização começa a cobrar seu alto preço ambiental:
Cubatão tem uma degeneração violenta e começa o mito do “Vale da
Morte”; com o incêndio da Vila Socó, em fevereiro de 1984, a
tragédia ganha contornos nacionais e mundiais, pois a explosão dos
dutos da Petrobrás, sobre os quais se erguia uma favela que foi
pulverizada, pôs a nu os problemas advindos de políticas
energéticas não planejadas e de erros.
Uma tragédia
incontável, pois nem a Prefeitura, nem o Governo Estadual e nem a
Petrobrás
conseguiram precisar o número de mortos; num dado momento, ocorrem
situações anacrônicas: a Escola João Ramalho é usada como
necrotério; o Estado doa trezentos caixões; a Prefeitura usa as
listas de alunos da Escola de Educação Infantil para checar quem
volta às aulas.
Na seqüência vem o
desastre da Vila Parisi: encravada num polígono entre várias
indústrias, nos fundos da Aciaria da COSIPA, a favela da Vila
Parisi é um exemplo mundial de descaso e humilhação com o ser
humano. O clamor mundial começa com as doenças intimamente ligadas
à miséria, a pobreza, a falta de saneamento básico, a poluição.
Ocorrem as primeiras mortes neonatais por anencefalia, casos até
hoje mal explicados. A tragédia da Vila Parisi força a Prefeitura
a tomar uma atitude, e Passarelli transfere a população para um
bairro planejado e construído às margens da interligação
Anchieta-Imigrantes, o Bolsão 8 que, em sintonia com a eleição de
Tancredo Neves, é batizado Jardim Nova República.
Mas as ações de
Passarelli acabam desagradando o Governador Franco Montoro (Passarelli
fora nomeado por
Paulo Maluf),
que o exonera e nomeia, em 06 de fevereiro de
1985, outro
interventor: Nei Eduardo Serra, advogado ligado à administração da
COSIPA, que assume o governo em meio ao retorno a autonomia
municipal, que ocorre através da Emenda Constitucional n. 25, de
autoria do Deputado Gastone Righi. Em 15 de novembro, na primeira
eleição para Prefeito desde
1964, é
eleito o antigo Interventor
José Osvaldo Passarelli.
Passarelli e
Serra se alternam na Prefeitura entre
1985 e
2000 –
Passarelli foi eleito em 1986 e
1992; Serra
foi eleito em
1988 e
1996. É
fato notório que ambos são adversários políticos, gerando disputas
entre seus pupilos – os dois nunca se enfrentaram diretamente numa
eleição.
Em 1990, na corrente
da nova Constituição de 1988, é aprovada a Lei Orgânica do
Município, elaborada pela Câmara Municipal, em vista das
particularidades da cidade.
Desde
1985, a
Prefeitura e o Governo do Estado vem trabalhando num projeto de
preservação ambiental, juntamente com a ONU. Cubatão se torna, na
década de 90, “exemplo mundial de recuperação ambiental”, com a
volta de um símbolo de sua fauna, o guará-vermelho. Em 1993, o
Ministério Público
ordena o fechamento da
Fábrica da Rhodia
(do grupo francês Rhone-Poulauc), em vista dos “lixões” tóxicos
escavados em Cubatão, São Vicente e Itanhaém. Começa a fase
das privatizações: COSIPA e Eletropaulo (Usina Henry Borden) são
vendidas a consórcios.
Em 1998 é concluído o
Plano Diretor do Município, que atualiza o Código de Obras,
abrindo espaço para novos empreendimentos imobiliários na cidade.
Desde o início
da
década, a
crise econômica dos
anos 80 vem
cobrando um alto custo financeiro: a arrecadação começa a cair. As
crises financeiras são agravadas pelas cobranças dos Precatórios
de dívidas da Prefeitura, oriundos em sua maior parte de
desapropriações.
Em
2000, é
eleito o médico mineiro Clermont Silveira Castor. Popular na
cidade, Castor derrota o então Prefeito Nei Serra, candidato à
reeleição, mas recebe uma Prefeitura imersa em dívidas e com
graves problemas administrativos, como licenças de funcionários
não pagas, um Hospital deficitário, um sistema de Previdência com
sérios problemas de caixa. Clermont tem um estilo popular de
política, e não raro é visto andando nas ruas com seu carro
particular; num crime político ainda inexplicado, ele é alvejado
no início da noite de 01 de julho de
2001,
quando voltava do velório de um Secretário Municipal. Esse crime
deixa a cidade em polvorosa (os jornais regionais falavam em volta
aos tempos da
década de 60
e relembravam as mortes de Dinho e Abel Tenório); em breve, ocorre
um ruidoso rompimento entre o Prefeito e seu Vice, Alberto de
Souza.
Demografia:
Dados do Censo -
2000
População Total:
108.309
-
Urbana: 107.661
-
Rural: 648
-
Homens: 54.524
-
Mulheres: 53.785
Densidade demográfica
(hab./km2): 761,13
Mortalidade infantil
até 1 ano (por mil): 21,82
Expectativa de vida
(anos): 68,32
Taxa de fecundidade
(filhos por mulher): 2,30
Taxa de Alfabetização:
90,94%
Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH-M): 0,772
-
IDH-M Renda: 0,706
-
IDH-M Longevidade:
0,722
-
IDH-M Educação:
0,888
(Fonte:
IPEADATA)
Localização
Municípios limítrofes:
Santo André,
São Vicente, Santos e São Bernardo.
Distância da capital:
50
km
Características
geográficas:
Clima
: Temperado
na maior parte
Indicadores:
IDH
=
0,772 '
PIB
=
R$
4.567.617 (2002)
Hino
de Cubatão
Letra:
EDÍSTIO DIAS REBOUÇAS FILHO
Música:
JOÃO BATISTA CURTIS
Longos
séculos emoldurada
de
palmas tão brasileiras,
ao
som das cachoeiras
prelúdio
desta canção.
Eis
Nove de Abril,
rompe
em canto viril,
a
mostrar a todo Brasil
o
valor de Cubatão.
Salve,
Salve, Rainha das Serras,
Bem
amada Cubatão
em
tua história, encerras
paz,
amor e tradição.
Ó
magia de condão de fadas,
a
bela região dominas
o
ouro negro refinas
és
fontes de força luz.
E
Anchieta, ao passar
a
Caminho do Mar,
Sempre
quis te abençoar
com
o sinal da Santa Cruz.
A
BANDEIRA
A
Bandeira do Município de Cubatão foi criada e
oficializada pela Lei n.º 638, de 13 de julho de 1966,
toda em branco, tendo centrado, ocupando 3/5 partes de
sua altura, o Brasão de Armas.

BRASÃO DE CUBATÃO

"Dando
nova redação no artigo 1.º da Lei n.º 638, de 13 de
julho de 1966, o Prefeito Municipal de Cubatão, Eng.º
Aurélio Araújo, sancionou a Lei n.º 796, de 19 de
dezembro de 1969, sobre os seguintes termos, instituindo
o novo brasão de Cubatão:
Artigo
1.º - o artigo 1.º da Lei n.º 638, de 13 de julho de
1966, passa a ter o seguinte teor: Artigo 1.º - É
oficializado o Brasão de Armas do Município, na
conformidade do modelo que integra a presente Lei e tem
a seguinte descrição heráldica: Um escudo português
(ibérico). Em campo de goles (vermelho), no centro e em
destaque, num entrelaçamento harmonioso: uma roda
dentada de prata (engrenagem) e, sobre ela, um sol
dourado, refulgindo quatro raios igualmente doirados e
simétricos - tudo sobre uma flecha e uma alabarda de
ouro e prata cruzadas. Três escudetes com chefe,
ligados e alinhados em faixa, sobre o campo de blau
(azul) e representação de prata; o primeiro sob a
forma de um conjunto petrolífero; o segundo sob a forma
de uma torre e cabos elétricos; o terceiro, sob a forma
de um agrupamento siderúrgico; estes três elementos têm,
como suportes, duas folhas de bananeiras (musa paradisíaca)
e cor sinople (verde), dispostas, respectivamente, à
esquerda e a direita, Um listão de prata com os dizeres
(em sable negro): 1833 - Cubatão - 1949,
respectivamente à direita e à esquerda. O conjunto é
encimado por uma coroa mural de cinco torres de
prata".
Fonte de
Pesquisa:
www.wikipedia.com.br
Origem:
Wikipédia, a enciclopédia livre.
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