Cubatão comemora 25 anos de recuperação ambiental

Jardim Botânico de Cubatão será um marco dessa mudança

 

"Precisamos divulgar mais as coisas boas de Cubatão, como a recuperação ambiental ocorrida neste município. Assim que a legislação entrou em vigor, 25 anos atrás, muitas mudanças ocorreram, e o povo, os políticos e os segmentos sociais tiveram participação importante nesse processo, alertando a todos para o problema. Depois, ocorreu uma ação de parceria entre todos os envolvidos e as indústrias, tidas como o grande vilão da história, mostraram que a situação poderia mudar. Hoje, todos se beneficiam com essas mudanças", disse o prefeito Clermont Silveira Castor, de Cubatão, durante reunião na representação local do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), em que foram apresentados os resultados de 25 anos de programas de recuperação ambiental na região. O prefeito recebeu com satisfação o anúncio de que começará em 2009 a ser criado o Jardim Botânico de Cubatão, em área de invasão na Água Fria, mas manteve o tom de preocupação quanto à necessidade de solução urgente dos problemas sociais relacionados com a remoção dos moradores dessas áreas.

O prefeito Clermont aproveitou sua fala para enviar mensagem à Cosipa e à Usiminas, pleiteando que repense seu planejamento para que seja construída em Cubatão a nova usina siderúrgica, considerado as vantagens econômicas de se instalar na Baixada Santista e os benefícios sociais para esta comunidade, representados pelo significativo aumento na oferta de postos de trabalho.

O anúncio do novo Jardim Botânico foi feito pelo secretário de Meio-Ambiente do Estado de São Paulo, Xico Graziano, perante inúmeros empresários, autoridades regionais, o presidente do Ciesp e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf; o vice-presidente e diretor titular do Departamento de Meio-Ambiente da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis; o secretário municipal de Indústria, Comércio, Porto e Desenvolvimento, Ricardo Lascane; o diretor do Ciesp de Cubatão, Marco Paulo Pena Cabral; representantes da classe política e da Imprensa.

 

Números positivos – No encontro, o engenheiro e consultor ambiental Eduardo San Martin apresentou muitos números inéditos, demonstrando as melhorias ambientais alcançadas pelo Pólo Industrial de Cubatão nestes 25 anos.

Simultaneamente com um aumento de 39% na produção industrial (considerando apenas os últimos dez anos, pela falta de dados precisos sobre o período anterior), o Pólo Industrial de Cubatão conseguiu, nestes 25 anos, redução de 98,98% nas emissões atmosféricas de material particulado (de 363.372 toneladas/ano para 3.680 t/ano); de 99,1% em fluoreto, 99,4% em amônia; 2,1% de óxido e enxofre, 95,7% de hidrocarbonetos. O programa de controle de óxido de nitrogênio, iniciado há apenas 18 meses, já contabiliza a significativa redução de 8,9%.

Também foi possível nesse quarto de século reduzir em 28,3% a captação de água para uso industrial, em 32,4% o lançamento de efluentes líquidos e em 29,4% o lançamento de carga orgânica. Na redução de resíduos sólidos, o Pólo de Cubatão registra menos 17,6% na geração e menos 89,6% na destinação para aterro ou incineração. Nos dois casos, isso foi possível pelo reuso, no processo produtivo, de materiais antes emitidos no ambiente.

Conforme expôs Eduardo San Martin, há 13 anos não são registrados em Cubatão estados críticos de poluição do ar (atenção, alerta ou emergência). E todos esses resultados foram obtidos graças não apenas a investimentos feitos pelas indústrias, da ordem de US$ 1 bilhão nestes 25 anos, mas também pelas inovações tecnológicas surgidas no período, com novos equipamentos de controle das emissões, melhoria na performance dos equipamentos existentes, otimização de processos, reciclagem/reuso de materiais, novos programas computacionais para controle, substituição de combustível líquido por gasoso, aproveitamento até de águas pluviais, entre outras ações. Até mesmo os antigos passivos ambientais foram remediados ou estão em fase de remediação, graças aos novos processos desenvolvidos.

 

Oito pontos – Já o secretário estadual Xico Graziano destacou oito pontos em sua exposição. Lembrando que passa por Cubatão desde os anos 60, quando surgiam os primeiros indícios do grave problema ambiental, antes mesmo que existissem pesquisas sobre os efeitos de fenômenos como a chuva ácida, ele citou como primeiro ponto que "acabou o achismo: Temos números, dados que são importantes para se comprovar as afirmações, como a de que o ar em Cubatão é freqüentemente melhor que o da capital paulista". Aliás, um número não citado pelo palestrante anterior foi ressaltado por Xico: os índices de emissão de poluentes que atacam a camada de ozônio são hoje menores em Cubatão que na Cidade Universitária, na capital paulista.

Para o secretário, desenvolvimento sustentável é bem diferente de maquiagem ambiental: "No mundo todo, muitas empresas fazem maquiagem: dizem que estão plantando árvores para compensar danos ambientais, e não estão investindo em produção mais limpa. Continuem plantando árvores, mas mudem também os processos industriais, para reduzir a poluição, como foi feito em Cubatão".

O secretário ressaltou que foi um trabalho conjunto que permitiu a obtenção dos resultados atuais; e que a Natureza, ajudada pelos seres humanos, agradece, com grande capacidade de regeneração, como é visível nas encostas da Serra do Mar. Disse também que os desafios nunca acabam, há agora uma nova agenda, a do aquecimento global: "Monitoramos as emissões de gases do efeito estufa, especialmente o dióxido de carbono. Sabemos dos investimentos que a Cosipa faz agora para o controle dessas emissões. E a Fiesp, nos últimos seis meses, vem desenvolvendo essa agenda positiva".

Xico prosseguiu, lembrando que "o exemplo de Cubatão, no passado e hoje, nos dá forças e argumentos, permitindo estabelecer metodologias para que o governo paulista impeça que aconteçam em outros locais o que ocorreu em Cubatão". Exemplificando com os projetos em estudos para São Sebastião, Caraguatatuba e Peruíbe, disse que "o desenvolvimento é desejável, mas desde o início tem de ser adequado, a população se mostra preocupada, mas nós já sabemos como fazer.  Em Cubatão executamos o maior programa de proteção ambiental afetando população, de todo o mundo: o programa de reassentamento da população da Serra do Mar, tirando-a das ocupações irregulares em áreas de risco e colocando-a em casas próprias, com escritura. E o prefeito Clermont Castor, que antes desconfiava desse projeto, está vendo o trabalho que vem sendo feito e agora acredita nele."

Por fim, Xico Graziano registrou um preito de reconhecimento aos primeiros ambientalistas paulistas e nacionais, que alertavam para os erros nesse processo de desenvolvimento industrial, sem futuro: "Eles estavam certos. As rduções conseguidas na emissão de poluentes mostram o quanto era predatório o desenvolvimento industrial há 25 anos, quando 360 mil toneladas de material particulado era lançado na atmosfera a cada ano. Os ecologistas, como Werner Zulauf e outros, plantaram a semente da consciência ambiental que nos permite hoje esta comemoração, a criação de um outro padrão de desenvolvimento, não só para Cubatão como para o país. Existe um caminho, e é este".

Paulo Skaf, em seguida, citou que "tudo na vida é equilíbrio, e o exemplo de Cubatão foi obtido em um período duro, época de vacas magras na economia, com crescimento mínimo, vivia-se mais administrando crises. O ano passado foi o primeiro de bons resultados, e já 2008 nos preocupa. Apesar das dificuldades, as indústrias de Cubatão deram este exemplo de investimento ambiental. Paradigmas foram quebrados, com a criação na Fiesp de um Conselho Superior de Meio-Ambiente, de que participam ambientalistas, e tudo isto é uma lição que podemos ensinar ao mundo, àquelas empresas sem transparência, que fazem muita onda mesmo quando apresentam resultados ambientais muito pequenos. O resultado apresentado hoje nos traz a certeza de que é possível harmonizar aumento de produtividade e melhoria ambiental".

Departamento de Imprensa  - 25 /7/2008 - 20080725-GP-25AnosValeVida-CPM.doc  – Zanza 2

Fotos: Aderbau Gama /Depto. de Imprensa/PMC >FOTO 1<  >FOTO 2<  >FOTO 3<

Fotos: Adalberto Medeiros/Depto. de Imprensa/PMC >FOTO 1<  >FOTO 2<

 

 

 

 

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