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Dia Internacional da Mulher - 8 de março
PORQUÊ O DIA 8 DE MARÇO
Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de
Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para
reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia
para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam
menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica
onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 129
mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência
internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em
homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia
Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da
emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no
resto do mundo.
O QUE SE PRETENDE COM A CELEBRAÇÃO DESTE DIA
Pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher
e levar a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o
seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e
limitações que vêm sendo impostos à mulher.
Muitos se perguntam a origem do DIA
INTERNACIONAL DA MULHER. Vamos voltar no tempo. Em 08 de março de
1857, 129 operárias de fábrica têxtil de Nova York entram em
greve. Reivindicam salários iguais aos dos homens e redução da
jornada de trabalho, que chegava a dezesseis horas diárias. Os
patrões trancam as operárias e incendeiam a fábrica. Em 1910, o
Primeiro Congresso Internacional da Mulher, na Dinamarca, escolhe
o dia 08 de março como o dia da mulher. Operárias em greve já não
são queimadas e a mulher conquista, às vezes, lentamente, a arte
dos direitos pelos quais tanto lutou. No Brasil, o direito ao voto
só foi reconhecido na Constituição de 1934.
Ainda o Dia Internacional da Mulher
por
Silvana
Aparecida Bretas
Parece um pouco anacrônico retomar o debate sobre o
Dia Internacional da Mulher (8 de março) , visto que as atividades
comemorativas já cessaram e não se fala mais sobre isso! Ainda
assim, abuso um pouco da paciência do leitor para retomar o tema e
expor algumas concepções sobre a luta da mulher pela conquista de
justiça e igualdade, bem como as condições reais que movem a sua
existência.
Em primeiro lugar é necessário que eu justifique a minha
insistência: o Dia Internacional da Mulher é um marco de
resistência de trabalhadoras que morreram queimadas dentro de uma
fábrica por reivindicar redução na jornada de trabalho; portanto a
causa em si é perene e deve ser retomada sempre, enquanto houver
diferenças sociais, culturais e econômicas entre homens e
mulheres. Por outro lado, o modo pelo qual é abordado o Dia
Internacional da Mulher transmite a impressão de que trata-se de
uma simplória questão sexista, na qual o mundo é dividido entre a
"sensibilidade" feminina e o "racionalismo" masculino. Pensar
desse modo não só demonstra falta de informação como também uma
postura política equivocada, pois reduz o problema da dominação
social de uma minoria a uma mera disputa particular entre homens e
mulheres, bem do modo romantizado das novelas globais. Gostaria de
imprimir aqui uma nova abordagem: qualquer tipo de dominação
coloca homens e mulheres sob tutelas opressoras.
Feita minha justificativa espero ainda contar com a paciência do
leitor para continuar minha reflexão. Para isso, seria
interessante trazer a público alguns dados estatísticos divulgados
pela ONU em 1998. Saiba, então, leitor que, de cada três famílias
no mundo, uma é chefiada por mulher. No centro das decisões
políticas do mundo, a representação feminina não é tão expressiva
assim: nas Assembléias Legislativas as mulheres têm uma
representação em torno de 4% nos paises árabes, de 10% na América
Latina, 19% na Ásia e 30% nos países escandinavos ou no Parlamento
Europeu . Existem 6% de mulheres ministras no mundo. A
participação da mulher cresce na esfera privada, mas pouco avança
no domínio público.
Continuando a estatística no quesito saúde vamos nos deparar com
dados alarmantes: na África existem 6 mulheres infectadas com o
vírus da AIDS para cada 4 homens. No mundo mulçumano 114 mil
mulheres e meninas sofrem mutilações sexuais. Calcula-se que 100
mil morrem silenciosamente todos os anos vítimas de aborto
clandestino. Cerca de 580 mil morrem todos os anos de complicações
de uma gravidez ou parto, por falta de controle dos nascimentos,
de acompanhamento médico, de cuidados e freqüentemente em
conseqüência de uma gravidez precoce.
E as estatísticas não param por aí, a violência desferida contra a
mulher apóia-se em forte condescendência da sociedade: nos EUA, a
cada 18 minutos uma mulher é espancada e a cada 6 minutos uma é
estuprada. Na Bolívia, por lei, lesões causadas por maridos em
brigas domésticas, são punidas apenas se a mulher ficar
incapacitada por mais de trinta dias. O país tolera maus tratos às
mulheres quando praticados por parentes (pai, marido, irmão, tio,
cunhado e filho), desde que os ferimentos não sejam graves. No
Paraguai, outro país vizinho, a lei perdoa maridos que matam suas
mulheres quando praticam adultério. Esta mesma lei não se aplica
aos homens nestas mesmas condições. Para não dizer que no Brasil
isso não acontece, 50% dos assassinatos de mulheres são cometidos
por marido ou companheiro. Em 80% dos casos, o assassino alega
"defesa da honra".
Os dados são tão trágicos que falam por si só, dispensam grandes
comentários mas, de modo algum, nos desobrigam a nos comprometer
com a luta feminista. Ao contrário, expõem de modo contundente que
não se trata de uma luta específica e, sim, de uma luta de homens
e mulheres que não se calam diante da discriminação, da dominação
e da violência. É uma luta que ultrapassa o domínio biológico
entre os dois sexos para jogar luz na construção social de gênero,
segundo a qual o homem deve provar, sob qualquer circunstância,
sua virilidade e à mulher nada mais resta fazer senão obstinar-se
em sua submissão.
É preciso deixar claro, largo e fundo que esse modelo, em última
instância, é responsável pelos dados supra citados e, portanto,
não é um bom modelo a se preservar e a se perpetuar. Precisamos,
homens e mulheres, recolocar nossas ações, sentimentos e
pensamentos num plano de civilidade que aponte para um outro tipo
de construção social. Onde não se admita, em hipótese alguma, que
o direito à vida e à qualidade de vida sejam negligenciados, e que
qualquer forma de luta, desde que seja contra qualquer forma de
dominação, é uma luta de todos! E isso, ao que me parece, vale
tanto para a esfera privada quanto para esfera pública. Se assim
entendemos, então ainda temos alguma chance de construir
identidades mais afirmativas, criativas e imaginativas.
Silvana Aparecida Bretas
doutoranda em Educação pela
Unesp/Araraquara
professora da FFCL / São José do Rio Pardo - SP
professora da FAFEM / Mococa - SP.
http://www.dieese.org.br/esp/mulher.html
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