Jornalistas ambientais reconhecem que Cubatão melhorou, mas querem muito mais

 

 

Três grupos de profissionais de imprensa especializados em meio ambiente — que participavam do I Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, encerrado nesta sexta-feira, em Santos — estiveram visitando Cubatão, hoje, 14, a convite da Prefeitura, Petrobras/Refinaria Presidente Bernardes e Cosipa.

O grupo recepcionado pela administração pública foi levado a conhecer os mangues onde os guarás-vermelhos fazem seus ninhos, às margens do Rio Cascalho. Depois visitaram o escritório da Cetesb, onde conheceram o sistema de monitoramento on-line de processos industriais da Refinaria e da Cosipa, implantado este ano com recursos da Petrobras.

No primeiro passeio ficaram encantados com o manguezal, especialmente com as aves e em particular com os guarás-vermelhos. Na Cetesb, elogiaram a iniciativa das indústrias em proporcionar o acompanhamento em tempo real da qualidade de suas emissões atmosféricas, aprovando o uso da tecnologia para garantir maior transparência nas suas relações com a comunidade.

 

Falta muito - Nenhum dos programas, no entanto, foi mais relevante para esses jornalistas (cerca de 30, nos três grupos, muitos originários da América Latina, Europa, África e América do Norte) do que a visão que eles tiveram da Cidade no trajeto entre um e outro passeio. “Vi que muita coisa melhorou em Cubatão desde a década de 80, quando aqui estive várias vezes, para fazer reportagens sobre a cidade que, à época, era um ícone mundial de degradação do meio ambiente pela má ação das indústrias”, admite o uruguaio Victor Bacchetta.

   “A natureza está em recuperação e as empresas têm investido bastante em tecnologia de controle ambiental. Mas isto, apenas, não é suficiente. O conceito de desenvolvido sustentado, que é dos anos 90, apenas começou a ser implementado por aqui”, conclui Victor, correspondente internacional que viveu no Brasil no período de 83 a 91.

 

“Falta muito que fazer. É preciso que as empresas se comprometam de fato com a solução dos problemas sociais, envolvendo-se diretamente com a solução desses problemas. Só assim as comunidades que hoje estão marginalizadas poderão se organizar, se informar e decidir de forma livre sobre o que é melhor para elas.” Para ele não existe outro caminho que não o da Responsabilidade Social e Ambiental das empresas.

 

Responsabilidade - “O velho modelo econômico do ‘lucro pelo lucro’ não mais se sustenta. Embora as indústrias potencialmente poluidoras continuem se instalando em países periféricos, porque em seus países de origem enfrentam a resistência esclarecida da opinião pública, isto não quer dizer que as populações dos países em desenvolvimento devam permanecer passivas, conformando-se com um processo industrial apenas um pouco mais limpo, sem que as empresas se envolvam com questões como educação, saúde, qualificação profissional e outras de interesse de suas comunidades. A tecnologia, apenas, não basta”, afirma Victor.

Ele esclarece que esse entendimento é compartilhado por todos os integrantes da Rede Brasileira de Jornalistas Ambientais (constituída de mais de 500 profissionais da área, de todos os cantos do País) e também por aqueles que fazem parte de uma rede semelhante que atua na América Latina e Caribe. Adalberto Wodianer Marcondes, diretor da revista digital “Envolverde” (www.envolverde.com.br) e organizador do evento que se realizou em Santos —e que nesta sexta-feira participou do grupo que visitou a Refinaria Presidente Bernardes—, é um dos mediadores da Rede Brasileira.

Marcondes —que defende a prática da Responsabilidade Social e Ambiental acompanhada da divulgação desses indicadores, de forma transparente e regular, pelas empresas— conta que trouxe o I Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental para a Baixada Santista “exatamente por se tratar de uma região de imensos contrastes, que de um lado possui uma cidade como Santos, que apresenta um dos melhores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do País e, de outro, tem áreas onde proliferam favelas, analfabetismo e miséria”.

 

Intercâmbio - O I Congresso reuniu mais de 1.000 profissionais de 22 estados brasileiros, além de dezenas de jornalistas de quatro continentes. A meta da Rede é promover encontros estaduais ao longo de 2006 e, em 2007, realizar o II Congresso Nacional, em local ainda a ser definido, com o objetivo de dar um passo adiante no processo de construção do desenvolvimento sustentado, com responsabilidade social e ambiental.

A troca de experiências proporcionada por esses eventos, para ele, é um caminho bastante eficaz. Prova disso era a presença, no grupo de jornalistas que visitou os mangues e a Cetesb, de Allison Ishy, um dos palestrantes do I Congresso, que veio do Mato Grosso do Sul apenas para conhecer os impactos ambientais e sociais provocados pelo pólo industrial de Cubatão.

“É que a partir de 2007 começam as obras de um pólo siderúrgico na região de Corumbá e, partir de 2009, será implantado ali também um pólo petroquímico. Queremos nos antecipar, para evitar que no futuro venhamos a ter os mesmos problemas hoje enfrentados por Cubatão”, explica. Já o moçambicano Frederico Dava, que visitou a Refinaria, interessou-se pela tecnologia utilizada pela Petrobras, nas décadas de 60/70, para deixar de usar o chumbo tetraetrila (altamente prejudicial à saúde) na composição da gasolina automotiva, melhoria ambiental que até hoje não foi adotada em seu país.

 

 

Departamento de Imprensa

Oswaldo de Mello -  MTb 10.572 -  14/Outubro/2005

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